Evento quarta-feira!

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Lançamento do livro de Leonardo Marona

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Estréia de Anderson Fonseca!

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Lançamento coletivo em Sampa

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Rafael Romero

Então todos nos ausentamos. Tenho andado por bandas latinas, ainda que ainda virtualmente. Talvez, afinal considerando o silêncio que aqui se instaurou, não seja de todo e sequer de algum mal levá-los comigo. Funciona bem simples. Basta ler o poema que segue e, querendo, visitar o autor — este invariavelmente mantenedor de um blog (eis um critério). Desta vez, da Guatemala precisei me estender um pouco até Madrid. É que da americanidade levarei em conta o berço, não me responsabilizando pelas migrações temperamentais dos poetas. Comecemos:

ESCÉPTICO SEPTIEMBRE

vida, perdóname el insulto
de querer vivir cien años en un solo día
perdona que mi estómago
suene como si llevase una paloma dentro
es hambre de ficción, es sólo eso
la inconformidad es un rinoceronte rosa
y yo soy un grito lamiendo el silencio
lo sé, mi mundo es un hotel barato
en donde nunca se convive muchas horas
perdona que reclame excesos
la luz del sol ya no me escuece
hay un aire de quebranto circulando
intentando ahuyentarme
como a un inmundo y trémulo becerro
perdóname la insensatez de rebelarme
de escribir epístolas desnudo
pero ante todo, perdóname la terquedad
estos años de alegre ubicuidad
en las vacías cuencas de mis ojos

Rafael Romero nasceu na Guatemala e, mais recentemente, em Madrid. Coordena o projeto antológico Te prometo anarquía e faz parte do coletivo Cuarto Incierto. Seus blogs: Epifanía doméstica de la nostalgia pura e Cinco kilos de vacío.

Afrodite in verso

1

CONFISSÃO

meus sussurros
são derramados
em papel de carta.

quando a calma da tinta acabar
esqueça que te amo.

 
Esse poema exemplifica bem o lírico “Afrodite in verso” da carioca Paula Cajaty, lançado ano passado pela 7Letras. A autora, que mantém um interessantíssimo e bem atualizado site (paulacajaty.com) de poesia e outras variedades do mundo artístico, teve a orelha dessa sua estréia escrita pelo poeta Fabrício Carpinejar, onde a essência do livro foi muito bem captada:

“Na obra, há um efeito ‘Lolita’, uma mistura nervosa de adolescência e erotismo, da ansiedade do meu ‘querido diário’ e o sarcasmo da partilha de bens.”

Palavra (En)cantada

O suposto confronto entre a palavra escrita e a falada foi tema da FL@P! 2007, na mesa Literatura Falada e Literatura Escrita, que contou com o poeta e letrista Geraldinho Carneiro, os poetas Salgado Maranhão e Mano Melo e com o também poeta e coordenador de projetos literários Henrique Rodrigues. O debate foi acalorado e provocou reações intensas da platéia, que defendia os inúmeros sarais que acontecem pela cidade. Geraldinho Carneiro, na mesa, colocava todos no mesmo saco, dizendo que não apresentavam nada que se aproveitasse. Foi o bastante para que o debate quase virasse bate boca com o público.

No auge do calor Mano Melo interferiu com sua visão, da qual compartilho. Mano defende que o nosso futebol não tem nada de extraordinário. O que faz com que tantos craques surjam no país é a enorme quantidade de campinhos de pelada, mequetrefes e amadores, cheios de pernas de pau que encontramos país afora. E que para ele, esses saraus são isso: campinhos de pelada das palavras. E por isso são importantíssimos: é essa enorme quantidade que vai, com o tempo, peneirar poetas de qualidade, assim como no futebol. Essa é uma das minhas falas preferidas em todas as edições da FL@P!

Onde entra o Palavra (En)cantadada nessa história? A relação entre poesia e música, tão discutida, é o tema deste documentário que já arrebatou o prêmio de Melhor Direção de Longa Metragem Documentário no Festival do Rio de 2008.

Dirigido por Helena Solberg e com estréia prevista para 13 de março, o longa põe na mesma tela Chico Buarque, BNegão, Mautner, José Celso Martinez Correa, Lirinha, Bethânia, Caetano…  São nomes de várias vertentes e gerações, o que torna o material especialmente rico.

Caymmi e Tom Jobim, claro, também estão presentes, em imagens de arquivo.

A palavra escrita, dita, cantada, é a protagonista desse longa imperdível.

Site oficial: www.palavraencantada.com.br

Fica técnica:
Um filme de
Helena Solberg e Marcio Debellian

Direção:
Helena Solberg

Produtor:
David Meyer

Roteiro:
Diana Vasconcellos, Helena Solberg, Marcio Debellian

Argumento e Co-Produtor:
Marcio Debellian

Montagem:
Diana Vasconcellos

Produtor Executivo:
David Meyer

PESQUISA:

Coordenador de Pesquisa:
Júlio Diniz

Pesquisadores:
Frederico Coelho
Heloísa Tapajós