Rafael Romero

Então todos nos ausentamos. Tenho andado por bandas latinas, ainda que ainda virtualmente. Talvez, afinal considerando o silêncio que aqui se instaurou, não seja de todo e sequer de algum mal levá-los comigo. Funciona bem simples. Basta ler o poema que segue e, querendo, visitar o autor — este invariavelmente mantenedor de um blog (eis um critério). Desta vez, da Guatemala precisei me estender um pouco até Madrid. É que da americanidade levarei em conta o berço, não me responsabilizando pelas migrações temperamentais dos poetas. Comecemos:

ESCÉPTICO SEPTIEMBRE

vida, perdóname el insulto
de querer vivir cien años en un solo día
perdona que mi estómago
suene como si llevase una paloma dentro
es hambre de ficción, es sólo eso
la inconformidad es un rinoceronte rosa
y yo soy un grito lamiendo el silencio
lo sé, mi mundo es un hotel barato
en donde nunca se convive muchas horas
perdona que reclame excesos
la luz del sol ya no me escuece
hay un aire de quebranto circulando
intentando ahuyentarme
como a un inmundo y trémulo becerro
perdóname la insensatez de rebelarme
de escribir epístolas desnudo
pero ante todo, perdóname la terquedad
estos años de alegre ubicuidad
en las vacías cuencas de mis ojos

Rafael Romero nasceu na Guatemala e, mais recentemente, em Madrid. Coordena o projeto antológico Te prometo anarquía e faz parte do coletivo Cuarto Incierto. Seus blogs: Epifanía doméstica de la nostalgia pura e Cinco kilos de vacío.

Flip 2030

Este post é para os já ansiosos por horas numa fila aguardando ingressos da Flip.

Considerando a antecedência com que as pessoas se programam para a Festchenha, a Flip deveria ser um daqueles eventos que estão sempre no ano seguinte; neste ano, aconteceria a Flip 2010.

Mas não.
A Flip 2009 vai do dia 1 ao 5 de julho.
(O que não impede que o natal esteja chegando.)

O conhecimento da data lhe permite também reservar com antecedência uma pousada, e privar de teto os relapsos como eu.

De toda forma – mesmo sem teto e provavelmente excluída da excursão -, assumo que há bons nomes confirmados.

Para não perder o assunto de outro post, me atenho hoje ao Carlos Fuentes.

Fuentes escreveu uma quantidade considerável de romances, peças e roteiros para cinema. Entre os quais, A Morte de Artemio Cruz (1962), Gringo Velho (1985), O Espelho Enterrado (1992), Diana o la Cazadora Solitaria (1996),e, o mais recente, La Voluntad y La Fortuna (2008).

Com 80 anos, é um senhor muito simpático, o que vocês podem conferir com os próprios olhos nesse vídeo aqui:

Entre as declarações, o escritor mexicano (que nasceu no Panamá) classifica escrever como um ato peligroso; e diz que, se alguém acredita que a literatura pode ser inofensiva, basta apresentar um livro ante uma ditadura totalitária, para certificar-se do quanto pode ser perigosa a literatura aos olhos de uma ditadura. Também fala da solidão e do silêncio necessários para escrever; da necessidade de um tempo e um espaço próprios, não tanto do escritor como da escritura.
E
paro por aqui, que – além de não ser partidária de sinopses, resumos ou releases – não se deve perder a oportunidade de ouvir o original em espanhol, tão bonito.


As outras partes da entrevista:
2.
3.