no entanto d’água

Semana passada, encontrei na bagunça de meu armário o livro no entanto d’água, de Leonardo Gandolfi, publicado em 2006 pela editora 7letras. Resolvi reler a obra e acabei tendo mais prazer do que eu poderia imaginar. Não me recordava das sutilezas e possibilidades que a poesia de Gandolfi, pouco a pouco, vai nos propondo.

O livro é composto por 3 longos poemas (“Sete”, “Rosto” e “- Quem são estes?”). Segue um trecho de “Sete”:

no-entanto-dagua1

Sete

A gravidade posto o peso esquerdo

das palavras

espera por dentro

da altura a areia

Semelhante desenho do oxigênio

o formato

e direção da pausa –

prosseguir

embora em subentendida calma

verso a verso teus insetos

 

*

 

Juntam-se a esses insetos diversos recursos

uns mais dispersos outros não

Desatadas as coissas descalças

e o que por distenção não só retorna

como também e quase ao mesmo tempo

avança

o senão põe aqui o sal e o sim

da última mudança de andamento

 

De cima contra o círculo de giz

inversa dor do céu o chão caber

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