Silogismo carnavalesco

premissa maior

             o que não mata engorda/ o que não mata fortalece

premissa menor

             não morri/ não morri

conclusão

             estou mais gordinha/estou mais fortinha

,

mas não o suficiente para me alongar. palavra na quarta de cinzas ainda é marchinha; hoje o carnaval ainda é a literatura contemporânea. cantemos.

1.
Guarde no peito a dor de não cantar.

2.
Merece uma homenagem
quem tem forças pra cantar.

3.
Quero de novo cantar.

4.
Cantar oh! Cantar!

5.
Lalalalalalalalalala ei!
Lalalalala ei!
Lalalalalalalalala!

6.
Adeus adeus minha gente,
que já cantamos bastante.

.
.

(trechos de: 1. Último Regresso –- Getúlio Cavalcanti 2. Bloco da Solidão -– Evaldo Gouveia/ Jair Amorim 3. Tristeza — Haroldo Lobo/Niltinho 4. A dor de uma saudade — Edgar Moraes 5. Água na boca -– Mendes 6. Evocação Nº 1 — Nélson Ferreira. aqui você lê na íntegra.)

Anúncios

Literatura na Avenida

Já estamos em pleno carnaval e eu, ainda de ressaca pelos blocos de ontem, venho a este blog fazer um lembrete: neste domingo, primeiro dia de desfile das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, a literatura vai invadir a Sapucaí.
A Mocidade Independente de Padre Miguel, minha escola de coração, trará para a Avenida o enredo “Clube Literário – Machado de Assis e Guimarães Rosa… Estrelas em poesia”.
O desfile ocorrerá entre 0h15m e 1h. Vale a pena fazer uma pausa nas badalações e acompanhar a homenagem. Onde quer que estejamos, sempre há um bar com a TV ligada transmitindo o desfile.
Dado o recado, bom carnaval a todos.

mocidade2009

 Clube Literário – Machado de Assis e Guimarães Rosa… Estrelas em poesia!

 

Reluzente estrela de um encontro divinal

risca o céu em poesias

traz a magia pra reger meu carnaval

despertam nas páginas do tempo

romances personagens sentimentos…

Machado de assis que fez da vida sua inspiração

um literato iluminado

As obras, um destino à superação

nos olhos da arte reflete o legado

do gênio imortal odo bruxo amado

que deu ao jornal o tom verdadeiro

apaixonado pelo Rio de Janeiro

 

A canção do meu sarau te faz sonhar

a emoção vai te levar

a estrela adormece na paz do amor

abençoado, um novo sol brilhou

 

O vento traz rosa de Minas

rosas do mundo pra te encantar

palavra que tocam a alma

fascinam e têm poder de curar

pelas veredas do sertão

a fé, o povo em oração

Pedindo à santa em romaria

pra chover em nosso chão

mistérios da vida desse escritor

revelam histórias de um sonhador

Brasil de tantas artes,

nas letras, sedução

herança em cada coração

 

mocidade, a sua estrela sempre vai brilhar

um show de poesia em nossa academia

saudade em verso e prosa vai ficar

 

 

Para saber mais sobre o enredo da esola, clique aqui.

no entanto d’água

Semana passada, encontrei na bagunça de meu armário o livro no entanto d’água, de Leonardo Gandolfi, publicado em 2006 pela editora 7letras. Resolvi reler a obra e acabei tendo mais prazer do que eu poderia imaginar. Não me recordava das sutilezas e possibilidades que a poesia de Gandolfi, pouco a pouco, vai nos propondo.

O livro é composto por 3 longos poemas (“Sete”, “Rosto” e “- Quem são estes?”). Segue um trecho de “Sete”:

no-entanto-dagua1

Sete

A gravidade posto o peso esquerdo

das palavras

espera por dentro

da altura a areia

Semelhante desenho do oxigênio

o formato

e direção da pausa –

prosseguir

embora em subentendida calma

verso a verso teus insetos

 

*

 

Juntam-se a esses insetos diversos recursos

uns mais dispersos outros não

Desatadas as coissas descalças

e o que por distenção não só retorna

como também e quase ao mesmo tempo

avança

o senão põe aqui o sal e o sim

da última mudança de andamento

 

De cima contra o círculo de giz

inversa dor do céu o chão caber

Um Homem que Oliveira

Antes de mais nada, um convite. Simone Campos lança hoje no Odeon o livro amostragem complexa, contemplado pelo último PPC.

convite-amostragem-complexa

Pois bem. No último dia 14, Ramon completou 25 anos. Nascia Ramon Mello – e outros camaradas que podem lagrimar com engajamento o quadragésimo nono parágrafo de Um homem que dorme* –, e morria, 48h antes, Julio Cortázar.

Longe dos tututu carnavalescos, passei o fim de semana lendo O fascínio das palavras. Trata-se de um livro de entrevistas com o autor argentino. As 186 páginas são resultado dos muitos encontros entre ele e Omar Prego, jornalista e escritor uruguaio.

Esses encontros se estenderam até o fim de janeiro de 1984, e claro que a introdução desenha uma cena comovente de Cortázar pouco antes da morte, reclamando do barulho das enfermeiras do hospital, expressando a inquietação de continuar internado, e dizendo que sairia a todo custo no dia seguinte.

Essas são as últimas palavras que lembro dele: “Eu quero ver árvores.” Morreu no domingo, dia 12 de fevereiro, pouco depois do meio-dia, e o enterramos no cemitério de Montparnasse, às onze e meia da manhã, na tumba de sua mulher, Carol Dunlop, que morrera em novembro de 1982. (…) Creio que Julio morreu finalmente sem saber (sem querer aceitar) que morria. Pelo menos não parecia acreditar, na última vez em que nos vimos, no hospital Saint-Lazare. Sua mulher Carol, sim, sabia o que estava acontecendo, mas ela morreu antes e preferiu não falar nada, quando ainda era possível. Limitou-se a esperá-lo em sua tumba do cemitério de Montparnasse, em cuja lápide de mármore estava escrito apenas o seu nome. Carol Dunlop, seguido de um sinal que chamamos de ‘hífen’ (embora aqui eu prefira a expressão francesa trait d’union), ao qual agora foi acrescentado o nome de Julio Cortázar.

Para quem não conhece a história de amor entre Cortázar e Dunlop, com direito a um vídeo feito pelos dois, basta dar um clique aqui . Também neste outro você pode visitá-los no ano de 1980, em Paris. (Só achei por demais animado esse som não diegético.)

O.P.: Já que você tocou no assunto, gostaria que falasse um pouco do livro que escreveu com Carol Dunlop, Los autonautas de la cosmopista, que tem um título de ficção científica.

J.C.: Este livro é o resultado ou a conseqüência de um plano muito louco, muito insensato — e, portanto, muito bonito para mim — que Carol e eu tivemos há aproximadamente cinco anos. Uma vez, voltando de Marselha para Paris pela Rodovia do Sul, nos detivemos uma tarde inteira porque estávamos cansados (Carol havia estado muito doente no Sul da França), e entramos num estacionamento magnífico, desses nos quais você pode se distanciar muito da rodovia, a ponto de quase não ouvi-la, e há bosques lindíssimos e sombrios. Então, ficamos ali para descansar. Devo explicar que naquela época viajávamos numa dessas kombis que têm tudo que é preciso para se viver dentro dela, e com a vantagem de ser um automóvel independente e não um reboque. Aliás, chama-se ‘Fafner’, mas isso é outra história. O que importa é que tinha tudo que era necessário: os assentos de trás se transformavam numa grande cama, havia um tanque de água de cinqüenta litros, um lavabo, uma cozinha e uma geladeira. A kombi era uma casinha, e além do mais tinha um teto móvel que eu levantava quando o carro estava parado, para poder andar lá dentro. Porque é possível acampar (tem muita gente que acampa em seu próprio automóvel), mas você tem que estar o tempo inteiro agachado ou deitado, e isso acaba com qualquer possibilidade de prazer, não é como estar em sua própria casa. Para mim, que sou tão alto, isso era fundamental. Então, naquele dia, estávamos naquele estacionamento descansando e nos sentimos tão bem, com tamanha sensação de felicidade, de plenitude, que começamos a analisar para ver por que nos parecia tão fora do comum. E começamos a descobrir coisas: em primeiro lugar, não havia a menor possibilidade de que alguém telefonasse para a gente. Além disso, ninguém sabia onde estávamos, pois a Rodovia do Sul tem mais ou menos 66 estacionamentos de cada lado. Estávamos em um deles e ninguém poderia saber quem éramos. Tudo isso contribuía para que nos sentíssemos maravilhosamente bem. Foi então que tive a idéia: por que num verão não fazíamos uma viagem estabelecendo regras de jogo muito severas, uma viagem de Paris a Marselha parando em todos os estacionamentos de beira de estrada? No começo, não sabíamos quantos estacionamentos havia. Depois vimos no guia, e eram mais ou menos 66. Isso representaria uma viagem de 66 dias, que achamos exagerada. Naquela mesma tarde, brincando, começamos a estabelecer as regras do jogo. A primeira era que os ‘autonautas’ (como imediatamente os batizamos) tinham o direito de entrar em dois estacionamentos por dia. Nem um, nem três: dois. Isso reduzia a viagem para 33 dias, que continuava a ser um projeto patafísico e surrealista que transformava uma viagem que normalmente é feita em dez horas em outra, de 33 dias. Você aí já nota a diferença. A segunda regra dizia que por nenhuma razão poderíamos sair da estrada. Podíamos aproveitar tudo que existia na estrada, por exemplo, motéis ou hotéis, se tivéssemos vontade de tomar banho ou dormir numa cama de verdade. Os restaurantes também estavam autorizados, e as lojas onde há de tudo. Mas só isso. Nenhum direito a sair da rodovia, salvo em caso de abandono por motivo de saúde.


Sobre a saúde, e as fatalidades que sucederam nos últimos anos de sua vida:


J.C.: Eu não sei nada de astrologia, mas nunca fui cético em relação a esse assunto. Eu tenho a impressão de que há momentos em que qualquer um de nós – os astrólogos diriam que é uma questão de horóscopo – está submetido a influências positivas ou negativas. Isso, de alguma forma, explica às vezes o acúmulo de desgraças. Ou determinada etapa de uma vida que se dá sob certo signo e que depois bruscamente – mas não tão bruscamente se estudarmos o horóscopo da pessoa – entra numa zona que pode ser totalmente diferente. Eu sei que faz cinco anos que estou numa das etapas mais negativas da minha vida. Mas sou tão pouco racional que não me ocorre a idéia de ir procurar um astrólogo e dizer: “Escuta aqui, investigue esse assunto para mim”, porque sei que não vou ganhar nada com essa investigação. Tenho a sensação clara de que existe isso que as pessoas chamam às vezes de ‘destino’, e que num momento determinado se coloca contra você. E que, além disso, é possível verificar, porque tudo o que aconteceu comigo nos últimos quatro ou cinco anos se repetiu, cíclica e repetitivamente, em cada um dos verões dos últimos quatro ou cinco anos. Agora estamos terminando o último verão, e cá estou eu num momento muito ruim da minha vida. Sinto-me muito doente, sinto-me distante de tudo o que gostaria de fazer e até daquilo que não posso fazer. Pois bem: o que estou tentando explicar não é resultado de nenhuma elaboração do tipo intelectual. Tento assumir algo que sinto que me acontece, e contra o qual não posso fazer nada a não ser me defender com os meios que estiverem ao meu alcance.

O livro tem uma série de passagens incríveis que poderia/gostaria de transcrever; mas, vamos lá, convenhamos, isso aqui é um blog e vocês têm outras coisas para fazer. Comecei com Um homem que dorme, e termino com o Oliveira. (Nem tão diferente assim, né?) Até porque não poderia deixar de tentar atender os fãs de Rayuela e os “reprodutores de Rayuelitas” (como o próprio Cortázar diz):

O.P.: Em Oliveira existe essa noção de duplo e de nostalgia ao mesmo tempo. Porque um dos elementos que está sempre presente em Oliveira é o da nostalgia de algo que ele mesmo é incapaz de formular. Em primeiro lugar, a nostalgia concreta de Buenos Aires, de uma coisa misteriosa que ficou lá e que ele volta definitivamente a procurar. Porque é certo que o expulsam da França, mas temos que nos perguntar em que medida não procurou inconscientemente essa expulsão.

J.C..: Não tenho certeza se Buenos Aires tem um valor especial na procura de Oliveira, porque, como você disse, ele é expulso e chega lá porque não tem aonde ir. Se tivesse desembarcado na Austrália teria continuado a procurar. Em qualquer lugar teria. Ele está, digamos, condenado a isso, a uma busca sem encontro prometido, nem definido, nem definitivo. E, no fundo, também é um aspecto que toca muito de perto os leitores, como me tocou ao escrevê-lo. Quero dizer que talvez Oliveira resuma um pouco o amanhã da raça humana, porque evidentemente ao longo da história é possível sentir que o homem é um animal que está procurando um caminho. E o encontra, não o encontra, perde e confunde-se, mas não se fixa em um mesmo lugar. De uma geração a outra — ainda que não mude de lugar — muda de clima mental, de clima moral, de clima intelectual. Está sempre procurando algo, um algo que quando se tenta definir escorre em termos abstratos. Há quem diga que o que o homem procura é a felicidade. Mas a felicidade é uma meta à qual não se chega quando alguém tenta defini-la nesses termos. Outra pessoa dirá que a procura é a da justiça, e outro vai dizer que procura a tranqüilidade. A busca existe, mas não está definida. No caso de Oliveira, está relativamente definida com a noção de ‘Centro’, porque o que ele chama de ‘Centro’ seria aquele momento em que o ser humano, individual ou coletivo, pode se encontrar numa situação em que esteja em condições de reinventar a realidade. Porque a realidade, para Oliveira, não é só a divina; a divindade não existe para Oliveira. A realidade é uma invenção humana, mas acontece que ele não gosta dessa invenção humana. Então, o que é esse ‘Centro’, esse refúgio? É o resultado da eliminação de tudo o que vai sendo rejeitado. Na realidade, Rayuela é o acúmulo de negações. Oliveira vai destruindo tudo no seu caminho. Joga tudo fora: mulheres, coisas, tempo, cidades. Porque aí, depois de ter liquidado tudo o que queria liquidar, há a esperança de tornar a inventar a realidade.

(…)

O.P.: Em seus romances, principalmente em Rayuela, há sempre uma espécie de comentário irônico da ação, algo assim como a vontade ou a necessidade de se livrar da seriedade, não é mesmo?

J.C.: Sim, Oliveira tem o temor permanente de cair no pathos, de cair na sensibilidade piegas, no romantismo. E isso porque ele se sabe vulnerável, porque no fundo Oliveira é um grande sentimental. E então, cada vez que avança um pouco no terreno dialético (seja falado, ou no campo da ação), dá um passo atrás e olha a coisa com ironia, tenta modelá-la um pouco. Isso se percebe continuamente em seus diálogos, não é mesmo? Tem um medo terrível de se deixar envolver pelo drama, ou seja, passar do mundo tal qual ele o adivinha a um mundo de aceitação dramática, que em definitivo é muito convencional, porque são os dramas da morte, do amor, do abandono. Frente a isso, ele retrocede e se defende com ironia.


Fonte: Prego, Omar. O Fascínio das Palavras – Entrevistas com Julio Cortázar. Rio de Janeiro, José Olympio, 1991.

*Como em breve serei um desses camaradas, guardo o animado parágrafo para o dia 4 de setembro. Mas, caso você tenha um amigo aniversariando 1/4 de século, pode me solicitar via e-mail a encomenda do seu generoso presente: diana.hollanda@gmail.com

Jovens poetas em pauta no Click(in)versos

bg1k

Quem não conhece, deveria. Ramon Mello, companheiro nosso no coletivo | riosemdiscurso e autor do livro Tumorgrafias (Editora Cartaz, 2006), possui um excelente blog de literatura, o Click(in)versos. Ao contrário do sempre revelador conteúdo, o formato dos posts pouco muda, são entrevistas com jovens escritores atuantes na literatura contemporânea. E o melhor é que, nestes tempos de “tudo pela internet”, Ramon prefere encontrar-se pessoalmente com os escritores.  O que se lê blog é, portanto, espontâneo e descontraído, tudo o que se precisa para uma boa prosa.
 
Nas duas entrevistas mais recentes, a poesia predominou. Ele conversou com Lucas Viriato, editor do jornal Plástico Bolha, cujo último livro lançado em 2008 foi objeto do post de 5 fevereiro aqui do Blog da FL@P!RJ, e com Alice Sant’Anna, ganhadora da eleição dos melhores do ano do Jornal do Brasil com seu livro Dobradura (7Letras, 2008). Ambos (os três, Ramon foi o mediador) participaram da edição de 2008 da FL@P!RJ na mesa “Palavra nos meios”, ao lado dos também poetas Olga Savary e Omar Salomão – que igualmente já foi entrevistado no Click(in)versos.

Confira aqui: http://wwwb.click21.mypage.com.br/MyBlog/visualiza_blog.asp?site=clickinversos.myblog.com.br

E pra completar, Ramon faz aniversário hoje: parabéns Ramon!

Dado Amaral, lança livro em Portugal

convite1

Dado Amaral participou da edição 2008 da FLAP! – Interferências, na mesa Vanguarda (mediada por mim), com a crítica literária Beatriz Resende, e o poeta Paulo Henriques Britto.

Flip 2030

Este post é para os já ansiosos por horas numa fila aguardando ingressos da Flip.

Considerando a antecedência com que as pessoas se programam para a Festchenha, a Flip deveria ser um daqueles eventos que estão sempre no ano seguinte; neste ano, aconteceria a Flip 2010.

Mas não.
A Flip 2009 vai do dia 1 ao 5 de julho.
(O que não impede que o natal esteja chegando.)

O conhecimento da data lhe permite também reservar com antecedência uma pousada, e privar de teto os relapsos como eu.

De toda forma – mesmo sem teto e provavelmente excluída da excursão -, assumo que há bons nomes confirmados.

Para não perder o assunto de outro post, me atenho hoje ao Carlos Fuentes.

Fuentes escreveu uma quantidade considerável de romances, peças e roteiros para cinema. Entre os quais, A Morte de Artemio Cruz (1962), Gringo Velho (1985), O Espelho Enterrado (1992), Diana o la Cazadora Solitaria (1996),e, o mais recente, La Voluntad y La Fortuna (2008).

Com 80 anos, é um senhor muito simpático, o que vocês podem conferir com os próprios olhos nesse vídeo aqui:

Entre as declarações, o escritor mexicano (que nasceu no Panamá) classifica escrever como um ato peligroso; e diz que, se alguém acredita que a literatura pode ser inofensiva, basta apresentar um livro ante uma ditadura totalitária, para certificar-se do quanto pode ser perigosa a literatura aos olhos de uma ditadura. Também fala da solidão e do silêncio necessários para escrever; da necessidade de um tempo e um espaço próprios, não tanto do escritor como da escritura.
E
paro por aqui, que – além de não ser partidária de sinopses, resumos ou releases – não se deve perder a oportunidade de ouvir o original em espanhol, tão bonito.


As outras partes da entrevista:
2.
3.