Tarde – Paulo Henriques Britto

Um pensamento revirado na cabeça
como uma folha carregada pelo vento.

A folha está em branco, embora um pouco suja,
porém as marcas que a escurecem dizem nada,

e o próprio vento que levanta e arrasta a folha
também diz nada, nada (embora uive tanto).

Mesmo que a folha continue a debater-se
no mesmo vento por cem anos, sem cessar,

as marcas negras contra o fundo outrora branco
continuarão dizendo nada, nada, nada.

A folha traça aleatórios torvelinhos
com a mesma persistência estúpida e implacável

com que dança a idéia na cabeça cansada
dizendo sempre nada, nada, nada, nada.

(Tarde, 2007)

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