Vem Serpente – Dado Amaral

Vem serpente, apareça
bem aqui na minha frente
que eu corto a sua cabeça
com um golpe só

deixe que eu ofereça
esse serviço
essa ação desinteressada
cortar sua cabeça, mais nada

pode ser com o facão
ou então com a enxada
cutelo, adaga, espada
punhal ou cimitarra,
canivete ou peixeira,
a lâmina que queira

minha missão é uma só
cortar sua cabeça
sem paixão nem dó

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adriana monteiro de barros

adriana monteiro de barros é carioca, poeta, jornalista e mãe. em 2004, foi agraciada com o 1º lugar no Concurso Carioca de Poesia. lançou este ano seu livro de estréia: Pianos Invisíveis. apresenta-se em diversos eventos da cidade. escreve no blog ‘das coisas que eu não sei’.

 

www.almadepoeta.com/poetasemdestaque

http://www.dascoisasqueeunaosei.blogspot.com

aprendendo a morrer

Morrer não deve ser difícil.

Difícil é saber que não somos deuses.

Somos uma incompletude.

Talvez minhas lágrimas e palavras sejam lavadas

e diluídas com as coisas desse mundo.

Morrer, não. Morrer não deve ser tão difícil.

Aprendo um pouco a cada dia.

Calo com o tempo,

esqueço os pecados

e viro borboleta.

Difícil é o imponderável.

Morrer, não.

Morrer abrevia instantes.

Adriana irá se apresentar no pocket do Movimento inVerso no sábado de FLAP! Rio 2008 – Interferências.

 

Homens do Deserto – Lucas Viriato

Esses homens do deserto
vêm puxados a camelo
com seus panos coloridos
envolvidos nos cabelos.
Retorno de tempos idos
muitos anos, isso é certo,
têm os traços bem vividos
esses homens do deserto.

Esses homens do deserto
domadores de elefantes
têm os olhos bem abertos
como bons negociantes.
Venha logo, meu amigo,
venha ver o quanto antes
esses homens do deserto
domadores de elefantes.

Esses homens do deserto
com seu mármore esculpido
construíram os castelos
que encantaram o mundo inteiro.
Contemplaram as montanhas
com seus templos de marfim,
e hoje vendem por barganhas
belos cortes de cetim.

Esses homens do deserto,
esse clima quente e seco
de um país largado a ermo.
Eu preciso ouvir de perto
a canção que não entendo
para ver se estou desperto
ou se os homens que enxergo
são miragens do deserto.

Lucas Viriato participará da mesa Palavras nos meios: tecnologia e miscigenação, no dia 21 de setembro, às 14h30.

bilhete – Victor Paes

três coisas inteiras a se lembrar:
fazer uma entrega em uma esquina com três Ivos
comprar repolhos
e, enfim, justo e bastardo
terminar falando com o eco das avalanches

Tarde – Paulo Henriques Britto

Um pensamento revirado na cabeça
como uma folha carregada pelo vento.

A folha está em branco, embora um pouco suja,
porém as marcas que a escurecem dizem nada,

e o próprio vento que levanta e arrasta a folha
também diz nada, nada (embora uive tanto).

Mesmo que a folha continue a debater-se
no mesmo vento por cem anos, sem cessar,

as marcas negras contra o fundo outrora branco
continuarão dizendo nada, nada, nada.

A folha traça aleatórios torvelinhos
com a mesma persistência estúpida e implacável

com que dança a idéia na cabeça cansada
dizendo sempre nada, nada, nada, nada.

(Tarde, 2007)

FLAP! Rio 2008 – Interferências

Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assume o tema INTERFERÊNCIAS.

Em dois dias – 20 e 21 de setembro – a PUC será o palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.

Abaixo segue a programação.

Inscreva-se para receber o boletim: http://groups.google.com/group/boletim-da-flap

Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=49632280

dia 20 de setembro

14h30 – Geração Espontânea
Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90… Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da Aeroplano e professora da UFRJ)
Flávio Izhaki (escritor)
Miguel Conde (jornalista de literatura dO Globo)
Viviane Mosé (poeta)

16h20 – Sarau Movimento InVerso – Clauky Saba
Adriana Monteiro de Barros / Betina Koop / Madame Kaos (juju hollanda, beatriz provasi e marcela giannini) / Priscila Andrade / Ramon Mello

16h50 – Empório de palavras
Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! – o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor de poesia)
João Emanuel Magalhães Pinto (editor da Guarda-Chuva)
Eucanaã Ferraz (poeta)
Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
Victor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)

18h40 – Exibição de curta ‘PROCURANDO DRUMMOND‘, de Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento

dia 21 de setembro

14h30 – Palavras nos meios: tecnologia e miscigenação.
Vídeos, CD’S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.
O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
Lucas Viriato (poeta e editor do jornal Plástico Bolha)
Olga Savary (poeta e tradutora)
Omar Salomão (poeta)
Alice Sant’Anna (poeta)

16h20 – Sarau Castelinho do Flamengo – João Pedro Roriz

16h50 – Vanguarda
Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual?
Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
Beatriz Resende (crítica literária e professora da UFRJ)
Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)
Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)

18h40 – Exibição do curta ‘POR ACASO GULLAR‘, de Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento